Do Banco... As dores Do Mundo!

Autor: Genésio Cavalcanti Seja Bem Vindo Ao Blog - Ser Poeta : »
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Do banco... às dores do mundo!

Ontem ao rever-te da mesma forma sólido, firme, seguro, ostentando a mesma simplicidade da qual durante anos permanecestes, inócuo e imponente, as lembranças encheram-me de saudades, foi preciso em ti sentar-
me, e ao tocar-te, senti a mesma emoção, o mesmo contentamento. Entre os pedaços de tua madeira, sucupira, envernizada, sentistes a minha presença desde quando doei-te ao meu querido irmão Luiz Carlos, pra que a sua fazenda fosse contemplada com a sua singela permanência, à sombra do seu terraço.
Lembranças de uma época que simbolicamente compartilhastes fielmente ao longo de sua extensão, contribuindo maciçamente para aliviar o cansaço fatigado em que ti repousavam e se abrigavam acomodadamente. Gente humilde, enfermos na sua grande maioria, espíritos luz e de paz, eram cancerosos, cardíacos, tuberculosos, reumáticos, asmáticos, aidéticos, desenganados de saúde.E verossivilmente lembro-me, agora, de uma vez, uma senhora grávida que ao sentir um forte sangramento, estando prestes a abortar naturalmente, repousou seu corpo sedento deitando-se em ti quase que desfalecidamente, enquanto providenciávamos transporte para removê-la para um hospital. Ou mesmo quando um ancião, tropeçando em suas próprias pernas, iria se esborrachar no chão, mas você livrou amparando-o imobilizadamente. Um outro caso, que lembro agora também, uma linda garotinha, cabelos loiros cacheados, deveria ter entre cinco e seis aninhos de idade, distraída andando
pela calçada, caiu ferindo-se, cortando o queixo, fizemos os primeiros socorros, e de novo lá estava você, cheio de préstimos e solidariedade.
Não, nunca você iria passar despercebido, quando na realidade, foste peça fundamental e protagonista, quando atores principais, de quem nunca estiveste muito longe, apreciando uma história verdadeira, ou mesmo em outras o excesso de soberba. Dizer da sua importância e que muito representastes para mim, quando vezes repousei minha preocupação em ti, não tendo grana para saudar compromissos em tempo hábil. Ou ainda casos pitorescos, triviais, colhidos no cotidiano e que você soberbamente aturou. Sem falar dos segredos, segredos que você escutou por toda vida e não foram poucos. Escabrosos, horripilantes, serenos, de conciliação, e acredite até de Estado. E você ali firme impassível!
Meu velho e conhecido banco, que nunca quebrastes as amarras, muito menos rompestes parafusos em ti fortemente instalados. Você foi o óbvio, por várias razões, salvo melhor juízo e negando entretanto, citar nomes que fizeram de ti artimanhas eleitoreiras, para depois galgarem cargos eletivos e repousarem seus quilos em poltronas reconfortáveis em ricas em luxo, entre palacetes e assembléias. Dois governadores, um senador da república, um punhado de deputados federais e estaduais, sem nunca destes termos recebido um mero e simples cartão postal. Ou ainda, dois prefeitos eleitos e reeleitos com nosso empenho. E para terminar alguns vereadores, (com excessão de um ou outro) muitos desses simplesmente aboletaram o rabo impregnados de hemorroídas, nem mesmo assim, conseguiram apodrcer tua madeira rústica de puro lei.
Porque na verdade tiveste sempre o poder de persuasão, como o meu bom pai. Seu Heitor, que como ti sofrera também do esquecimento e da amargura dos falsos amigos. Você nos acolhendo e nós, erguendo a bandeira da resistência em tempos de instabilidade e insegurança. "Nesta vida só me arrependo do que deixei de fazer". falava meu pai, eu também comungo desta ideia porque sempre lutamos pelo bem estar da coletividade.
Despedido-me, vou te confessar um segredo, a bem da verdade, que precisas saber. Só te doei, para livrar-tes daqueles indígnos de nossa amizade para que não mais sentassem em ti.

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre!

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    Agradeço por sua presença nessa
    viagem que fizemos juntos...
    Espero outras vezes navegarmos,
    neste mesmo sonho!

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