E O MUNDO NÃO ACABOU...

Autor: Genésio Cavalcanti Seja Bem Vindo Ao Blog - Ser Poeta : »
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E o mundo não acabou

Nostradamus, o maior profeta de todos os tempos, previu em seu hiperfamoso livro, As Centúrias, que o mundo passaria por uma grande transformação no final de século XX. Estranhos fenômenos varreriam parte da humanidade
, com holocaustros e catástrofes. Pressupunha-se que na Sexta-feira 11 de agosto de 1999, às 10:00 h. O planeta seria devastado. O “eminente” episódio trágico, causava intranquilidade e insegurança entreas pessoas. Apregoava-se que ninguém sairia incólume daquela situação: “Raios intrerplanetários fulminariasm o solo. Arranha-céus desabariam. Pedra sobre pedra, não ficaria. O mar viraria sertão, e as chuvas, dilúvio. As águas invadiriam cidades. Haveria blecautes, e os efeitos do sobrenatural se transformariam em doenças epidêmicas, aniquilando legiões. O dia viraria noite (o sol ficaria preto), e a noite perderia a calmaria. “Os bons rebanhos receberiam castigos. Quanto ao transgressores, as penalidades se multiplicvariam. E quem salvo escapasse, são não ficaria”.
Os agitados dias que antecediam o dia “D”, gerou controvérsias, pertubação social e muita discórdia entre os povos.
Na verdade, o que Nostradamus previu como um grande cataclismo, era tão somente, a passagem de mais um cometa “Halley” (fenômeno que ocorre a cada setenta anos).
Muita genta, aproveitando-se desta história, tirava proveito próprio, “levando vantagem”. Insinuando decadência, dava-se calotes. Promovendo desesperança, corpos tombavam. Alegando não haver saída, afirmavam que os caminhois estavam traçados pelo profeta. Loucura? Miticismo? Desgraça? Tudo isso liquidificado, que mistura daria? Certamente, desatino, pânico e obsessão. Típico de quem, só se presta para o mal. Pressagiavam o futuro, sem nenhuma nobreza de caráter. E como consequência, mais homicídios, asdsaltos e drogas. O desajuste foi tremendo. Meninas tornaram-se mulheres, e no mesmo dia, engravidaram. Enfermos deprimiram-se ainda mais, consumiam tranquilizantes em doses cavalares. Outros disparavam projéteis, deflagrando a própria vida.
Dias de insanidade e sofrimento. A inquietação de pessaso era apavorante, principalmente para os incrédulos, o zun-zun, sem simetria. Homens morreriam aos milhares, de minuto a minuto. Supostamente, fim dos tempos.
Apesar de nunca ter jogado no time dos covardes, sempre e sempre, fui temeroso às coisas de Deus. E era sabedor que aquela previsão se confundia com outras semelhanças e não aquelaas acrescidas de muitas inverdades. Por isso mesmo, à véspera daquele dia, eu quis participar efetivamente do desfecho da... repito! Suposrta tragédia.
Palmares-Quinta-feira10- acordo cedo: É um dia especial. Sei que não haverá turbulências. As notícias pela televisõao, no jornal matutino, são tranquilizadoras: “Nada de mais grave ocorreu nas últinas horas” O dia passa rápido. Vem a noite. Preparo-mer para sair. Disfarçadamente, minto para Fátima. Invento um compromisso qualquer. Minha disposição e desejo, é ver com os olhos que um dia a terra há de fartar, seguir os acontecimentos. Tempo ainda, para mais um retoque na cabeleira escassa e no bigode abundante. Neste momento, penso em dar um mico nos amigos, perguntando-lhes: E se realmente o mundo fosse acabar, o que cada um de vocês fariam? Alguém tentaria uma licença de salvo-conduto para São Pedro? O outro rezaria um caminhão de terços? Ou simplesmente, faria como diz a boa composição do Moska. Entraria de roupa no mar/ trepava sem camisinha/ abria a porta do hospício/ trancava a da delegacia??? Então procuro no acervo, o CD da coletânea-Para Sempre-Paulinho Moska, a faixa O último dia. De posse, na mão, apresso-me.
A noite é turva. Ganho as ruas. Percorro-as de ponta a ponta. Estão vaziaas. Somente as igrejas, católica e protestante, terreiros de Pais de santo e de candom comedido, amigo íntimo das meninas, completa a mesa sentando-se entre elas.
A conversa é de fácil vocabulário. O chavão é: fim do mundo. Contagiante assunto. Em dado momento, Aninha trêmula diz que o que mais a apavora é o Lúcifer. Dorinha pede ao poeta que escreva para ela uma poesia, que fale de amor, de sexo e saudade, pois diz com os lábios agitados, sabe que vai morrer e quer levar consigo as lembranças do homem que fora inóspito à seu coração. O pranto de lágrimaas é tanto que faz necessário o Dr. Acalentá-la.
Aproveito o momento para pedir ao garçom que coloque o CD do Moska para tocar, sou atendido. Bastou começar, para destemperar todo o ambiente. Foi um Deus-nos-acuda. Ébrios, alguns aplaudiam, enquanto outros ensaiavam vaias. Temendo excessos, peço que seja trocada a música. O bate-papo continua. Agora é a vez do fornecedor de cana gargalhar debochadamente: diz ter o usado o mesmo mote para enganar o pessoal de uma concessionária de veículos em Recife, engendrando mentiras para aquisição do mais novo e moderno coupê, através de financiamento leasing. Batendo nas costas do matuto e cupincha, revela que o mencionado bem só foi possível adquiri-lo, em virtude de ter o matuto o C.P.F. Limpo. O homem sangue-bom talvez nem tenha dado conta de ter sido trapaceado (usado como testa-de-ferro). Continua o fornecedor: “beba e coma o que de melhor a casa servir, hoje quem manda é você” Aos meus olhos, percebo o cantador de viola, ser devorado pelos olhares de Evinha, a mulher ainda encarando-o pede uma canção. O Rei do Sexo levanta-se e arrasta a viola que encontrava-se adormecida. Oferece a ela um country do velho oeste americano, gingando o corpo, rebola fazendo a galera delirar. Chovem novos pedidos...
A noite segue agitada. Pouco falo, e quando, prefiro monossílabos. Com o pensamento distante, tento concatenar as ideias. Sinto-me estranho, talvez por estar rodeado de de verdadeira corriola. Salvo o poeta.
Depois de ter tomados algumas doses, agora o alegre Tourinho, pergunta-nos se babemos da última: da gaia do século? Revela-nos que o sorvina do Amaro, comerciante da mais nobre estirpe de nossa cidade, praticante socialaite, é corno do próprio irmão. Diz e jura ter visto a mulher do mesmo, sair do motel com o irmão da vítima. A anarquia é geral! Quanta degradação.
Continua sempre prevalecendo nos assuntos abordados, a incidência de galhofagens e decoros.
O dia prestes a amanhecer, pago meu quinhão e despeço-me.
Sexta-feira 11- o dia em que seria o derradeiro do mundo. Repriso o amanhecer de ontem. O dia é lindo e maravilhoso. A natureza caprichou zelosa, com o aval do Divino

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre!

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    Agradeço por sua presença nessa
    viagem que fizemos juntos...
    Espero outras vezes navegarmos,
    neste mesmo sonho!

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