O Quadro

Autor: Genésio Cavalcanti Seja Bem Vindo Ao Blog - Ser Poeta : »
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Trago comigo pendurado no pensamento uma tela a óleo, em alto revelo de um pintor italiano, cujo a obra de arte retratava um trecho num recanto da Tranamazônica, revestida em belíssima moldura trabalhada, posiocionada no centro da sala de estar na casa de meus pais. Naquela paisagem eu desfilava meus olhos caminho adentro, ficava perplexo e inquieto diante daquele universo. Como num fetiche, embriagava-me cada vez que por ali passava ou mesmo quando algumas vezes, ao ficar de castigo procurava sentar-me mais próximo dele para melhor apreciá-lo. Assim o tempo passava despercebido, aliviando o tormento do castigo. Vezes outras procurava entocar-me nas brincadeiras de esconde-esconde com meus irmãos, diante de tal beleza, apreciando o horizonte azulado e como destaque suas árvores estrondosas e entre estas os ipês roxos e avermelhados, além de flamboyants e acácias. A imensidão de seu rio,completava o deslumbramento.Sentava-me a sua frente e a imaginação tomava forma no abstrato.
A poeira inerte e volumosa acentava-se densa e acomodava-se, depois de ser pisoteada, na veloicidade das minhas peraltices e travessuras. O vento açoitava o bosque esverdeado com suas árvores e embaixo delas eu descansava o corpo e era ínicio de um belo passeio. Calmamente, aspirava e respirava o frescor do mais puro ar, meu pulmão agradecia. Depois novamente partia em disparada na imensidão do vasto caminho, até chegar no lago de água transparente e correnteza mansa. Mergulhava meu corpo despido até alcançar a outra margem e vice-versa. Mais a frente deparar-me com a pequena ponte de toras de madeira e ao atravessá-la, poder sentir sua grandiosidade. E corria em zig-zag livre como um pássaro em revoada. Corria e cantava festivamente os sonhos daquela travessura.
Era exatamente a metade daquele percurso e o melhor estava para acontecer. A partir dali começava um caminho mais ingrime, mesmo assim não tardava meu fôlego. Pronto! Logo a frente a minha direita, a pequena casa despovoada feita também de toras de madeira, sem portas ou janelas. Diante dela, eu parava esperando consentimento para penetrá-la, chegava a permissão com uma revoadade pássaros, que como eu compartilhavam da liberdade daquele paraíso.
Seguia a minha imaginação ao lembrar da menina que de quando em vez, aparecia a minha frente com seus cabelos loiros e longos. Vestida de branco, numa roupa transparente de pele clara e olhos verde-escuros, oferecendo-me água. Minha sede transbordava o oceano. Em seguida, convidava-me para um mergulho. Naquele momento, disfarçadamente, meus olhos percorriam aquele corpo lindo de beleza que tinha onde apalpar-se, uma preciosidade de verdade inconteste. Brechava-lhe o decote e a vista estarrecia-se ao deparar-se com os pequenos seios alvos de bicos róseos. Pura felicidade! O caminho de volta era tão fascinante quanto o de ida, para deleite dos meus olhos e contentamento da minha imaginação!

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre!



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    Agradeço por sua presença nessa
    viagem que fizemos juntos...
    Espero outras vezes navegarmos,
    neste mesmo sonho!

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