AMOR E ÓDIO!

Autor: Genésio Cavalcanti Seja Bem Vindo Ao Blog - Ser Poeta : »
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Amor e Ódio!
Costumo dizer que amor e ódio são aliados. Ou se ama alucinadamente, ou se odeia loucamente. Agora me diga: Até onde se estende o amor? No paraíso da satisfação? O que segura o amor? Uma vara de condão, uma mágica, alguma alqui
mia? Filhos? Qualquer um desses expert no assunto, responderia: até que a morte os separe, ou mesmo; para o resto da vida. Então volto a perguntar: E quando se mata por amor? (?) tremenda heresia. Muita gente praticou este ato impensado, indigno de pena e misericórdia.
Oito de dezembro, passava das vinte e duas horas, a nossa cidade festejava reluzente o dia de Nossa Senhora da Conceição. A igreja estava lotada de fiéis cantando os hinos mais entusiasticamente em homenagem à nossa padroeira.
Em um bairro pobre, seria lá prás bandas dos bananais, numa casa ainda mais pobre, a discussão aprofundava-se mais seriamente entre aquele casal. Era mais uma cena de ciúmes daquela mulher, que doidamente não se continha. O suor escorria-lhes em forma de bolhas ferventes, entre braços, seios e rosto. Era uma negra mulata de seios fartos, de braços roliços e fortes, e de rosto com traços grosseiros, de uma força descomunal, naqueles cem quilos de puro ódio. Sua mente perturbada, acirrava despauteriamente aquele emaranhado de desconfianças. De tudo desconfiava, passava o dia em verdadeira tocaia: vasculhava os bolsos do marido, atrás de alguma prova palpável, vigiava cada passo por ele dado. Brechava quando o homem capinava o quintal, quando ia ao banheiro, quando saía para o trabalho, e até acreditem, quando estava dormindo. E permanecia o dia todo, todo dia sempre à espreita, pronta pra dá o bote. Havia dias que além do ciúme doentio, acrescentava-se agora uma maior desconfiança.
Não que aquele homem fosse um molenga, mas era de seu instinto não gostar de brigas ou bate-bocas, principalmente com a sua esposa. Permanecia em todas as arengas em silêncio, poupando, sobretudo, o casal de filhos menores, que também não escapavam das grosserias daquela mulher.
E ele falava costumeiramente que só tinha olhos e sexo para ela. E que ela era a sua grande paixão, seu grande e único amor. Que não haveria motivos cabíveis e explicação para tal comportamento. Mas, ela não dava ouvidos e quando a suspeita rompia a desconfiança, não tinha perdão, diga-se de passagem, vez por outra o pau comia. E não era pouco! E quanto a ele? Por que teria se resignado com aquela situação? Não era a primeira e nem seria a última que apanharia. Era uma situação desencadeada. Como se um espírito zombeteiro encarnasse naquela matéria fraca, de formas firmes e opulentas. Aquele bom garçom, sempre confidenciava aos amigos sua vida conjugal, e deixava sempre escapar despropositadamente que nenhuma outra mulher, fazia fornicação tão gostoso quanto ela. Falava também que quando faziam
sexo, ela mordia, arranhava e gritava, como uma loba aos quatro cantos para quem quisesse ouvir. Chegando ao cume de ataques delirantes, minando suas próprias forças, deixando aquele homem cada vez mais alucinado. Talvez estivesse ai resposta para todas aas perguntas (os aprofundados no assunto dizem que tudo depende da cama mágica, pois nela, tudo se transforma, tudo se conquista), seria, por esse motivo que ele tentava sempre a custo, apaziguar aqueles confrontos? No entanto, naquele dia ele receava aquele ar de loucura. E ao anunciar que iria dar uma voltas pela cidade para que os ânimos fossem acalmados, foi brutalmente surpreendido, por cinco profundas facadas, covardemente à traição, atingindo-lhe o pulmão direito. Ao cair naquele chão batido, sangrava desfalecendo; porém, cresceu em sua retina a imagem de Nossa Senhora da Conceição, a quem lhe rogava piedosamente. Não conseguia mais falar, agora só grunhia! Foi socorrido por um carro de funerária (como prenúncio), que passava por ali naquele exato momento. Já no hospital depois de procedido os primeiros socorros, encaminharam-no para um hospital da capital. Ficou internado por vários dias entre a vida e a morte. Escapou fedendo. Nossa Senhora da Conceição teria poupado aquela vida, diziam alguns.
Esta frenética tentativa de homicídio culposo, para o abestalhamento de todos, ficou impune. Mais que isto, o amor entre ambos era literalmente absorvedor. E assim outro dia cumprimentei-os de passagem, estavam agarrados no maior love. Perdoaram-se e vivem apaziguadamente, felizes mais que nunca!

Genésio Cavalcanti
Palmares, hoje e sempre!

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    viagem que fizemos juntos...
    Espero outras vezes navegarmos,
    neste mesmo sonho!

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